sábado, 9 de julho de 2011

Férias

Oi, joia?

Projeto pras férias (além de trabalhar com meus estudantes de iniciação científica):
1) descansar;
2) fazer uma tatoo;
3) fazer 50 flexões de braço por dia;
4) fazer 400 abdominais por dia;
5) caminhar;
6) beber cerveja moderadamente.
A soma das alternativas certas dá 9, no máximo 14.
Bjomeliga
Leo

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Esgoto

Por mim...

Esgoto


Para o esgoto eu vou, dizem que não sou nada
Vivo rumando, com meu destino conhecido
Mas antes de seguir esta jornada
Fui retirado, jogado, expurgado

Como a remela no olho pregada
Que se assemelha à lágrima
De um bêbado, uma pessoa drogada
Cuja alma só se vê renegada

Como o escarro do pulmão
Pleura, que purificaria o sangue
Do doente, da desgraça, da poluição
Das cidades, da humanidade

Como o cuspe que cai no bueiro
Limpando a boca, a garganta, o lábio
De um homem que é sujo, inteiro
De um ser que se julga sábio

Como o suor que escorre pela pele
Refrescando o desejo da derme
De quem peca, arrepende, despe
E se torna pior que um verme

Como o esperma que é derramado
Da luxúria, da vergonha, da maldição
De quem nunca foi amado
Quem nunca viverá uma paixão

Como o sangue que é desperdiçado
No amor, na paz, na guerra, no ódio
De quem vive e viverá amordaçado
Do ser humano, o filho pródigo

Para o esgoto eu vou
Do esgoto eu saí
Das piores entranhas
Urbanas, viscerais, humanas

sábado, 11 de junho de 2011

Utopia

Acho que me considero um sujeito utópico... isso me chateia, muito, as vezes. Dai recebi isso de uma amiga, que ja me escutou desabafando sobre isto algumas vezes.
Abraço,
L



UTOPIA
 
"Para que serve a utopia?
Ela está diante do horizonte
Me aproximo dois passos
e ela se afasta dois passos.
Caminho dez passos
e o horizonte corre dez passos mais à frente.
Por muito que eu caminhe
nunca a alcançarei.
Para que serve a utopia?
Serve para isso: para caminhar."
 
(Eduardo Galeano) 

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Os aspectos sociais do emaranhamento quântico

Olá, com a permissão de meu amigo Gerardo Adesso, traduzi um texto dele que gosto muito, sobre emaranhamento. Espero que curtam.


Os aspectos sociais do emaranhamento quântico, de Gerardo Adesso

Traduzido livremente de “The social aspects of quantum entanglement”, de Gerardo Adesso: http://arxiv.org/abs/0706.0286. Trabalho publicado em uma revista cultural italiana.

Confissões de um físico teórico. O leitor pode estar se perguntando como e porque um artigo com um título tão estranho está em um jornal de cultura popular. Na verdade, a reação comum quando as pessoas encontram um físico teórico é olhar para ele como um alien, ou um psicopata autista incapaz de conduzir uma vida normal aproveitando assuntos mais 'populares'. Bem, existem várias razões do porque físicos teóricos não são tão populares mesmo entre pessoas com paixão por cultura. Qualquer um ficaria intrigado ao ouvir os absurdos que geralmente professamos sobre como a Natureza funciona! A teoria quântica, especificamente, afirma que nossa experiência do dia a dia do mundo “macroscópico” (coisas que tocamos e vemos) é inútil para descrever o comportamento do mundo “microscópico” (os componentes minúsculos das mesmas coisas que tocamos e vemos). Estes objetos minúsculos não sabem nem se eles são partículas (como bolas de sinuca) ou ondas de energia (como os raios de sol), e não porque nós não conseguimos detectá-los com precisão suficiente, mas por que existe um limite definitivo a priori para o conhecimento (desta precisão) que pode ser ganho. Então, dependendo em como olhamos para estes objetos, eles se comportam como ondas ou partículas, respondendo aleatoriamente nossos testes.

Agora vai e conta pra todo mundo que as mentes mais brilhantes do século passado descobriram o seguinte (confirmado por mais de 70 anos de evidências experimentais): que o mundo é intrinsicamente aleatório e que é impossível ter informação completa de seus componentes, e que isso implica que existem pobres gatinhos que podem estar ao mesmo tempo vivos e mortos... Eu penso que as pessoas vão ficar um pouco deprimidas, ou pensarão que você está completamente bêbado!! De fato, a mecânica quântica pode ficar um pouco mais conveniente! Este tal princípio de “incerteza” diz que quando você sabe exatamente a posição de uma partícula, você não pode saber qual é sua velocidade, e vice-versa. Então, na próxima vez que um policial te parar dizendo que você estava indo rápido demais com seu carro, tente dizer para ele (e diga para nós se funcionou) que de acordo com Mr. Heisenberg, como você está em um lugar não existe como saber qual a sua velocidade; e se ele insistir que ele gravou sua velocidade, você responde que você não poderia estar naquele lugar específico no momento, já que você estava delocalizado no universo inteiro!!!

Agora, se alguns poucos bravos leitores chegaram a este ponto vivos, eles têm no mínimo uma grande dor de cabeça! Relaxe, você está em boa companhia. Mr. Einstein eventualmente recusava a teoria quântica porque “Deus – ele disse – não joga dados.” E Mr. Feynman (e eu estou citando somente ganhadores de prêmios Nobel!) honestamente disse: “Ninguém entende mecânica quântica.” Então, tenho alguma esperança de fazer da física quântica um pedaço de cultura? Vou dizer agora para você sobre a mais contra-intuitiva e radical das características da mecânica quântica... ainda, vou tentar fazer desta característica tão natural quanto o sentimento que todo mundo experimenta desde o momento do nascimento e antes: amor.

Emaranhamento: paixão à distância. Mr. Schroedinger (outro pioneiro da mecânica quântica, também ganhador do Nobel: ele propôs o exemplo do gato) cunhou o termo “emaranhamento” (entanglement em inglês) em 1935 para descrever uma conexão peculiar em sistemas quânticos:

Quando dois sistemas entram em contato físico temporário
devido a forças conhecidas entre eles, e quando,
depois de um tempo de influência mútua, os sistemas são separados novamente,
então eles não podem mais ser descritos da mesma forma que antes.
Eu não chamaria esta uma mas sim a característica
marcante da mecânica quântica, a que força
todo o desvio da linha de pensamento clássica.
Por interagirem os dois sistemas se tornaram emaranhados.

Emaranhamento então se manifesta de alguma forma como uma correlação complicada (Einstein o censurou como uma “fantasmagórica ação à distância”) entre partes que estiveram em contato, e mantêm o contato mesmo milhares de quilômetros de distância. Isto tem sido demonstrado experimentalmente com átomos individuais ou feixes de luz; mas como isto pode se encaixar em nossa vida diária? O sentimento mais próximo que vem à minha mente é amor. Pense numa mãe e num filho, ou dois amantes que compartilham uma emoção intensa, e agora estão vivendo em partes diferentes do mundo. Eles sentem cada um, percebem a tristeza e a alegria da pessoa distante, e são influenciados por isso. Schroedinger adicionou:

Outra maneira de descrever esta situação peculiar é: o melhor conhecimento
possível do todo não necessariamente inclui o melhor conhecimento
de todas as suas partes. A falta de conhecimento é devida à própria interação.”

Em nossa metáfora, nenhum dos dois amantes está completamente por si só. Apenas quando estão juntos, complementam um ao outro. Eles são metades não separáveis de uma mesma entidade emaranhada. Nenhum entendimento próprio e completo, tanto em terreno físico quanto psicológico, está disponível para este fenômeno. Mas a linguagem da arte, provavelmente, pode deixar isto claro; emaranhamento é admiravelmente descrito por Pamela Ott, que tem quase zero conhecimento de mecânica quântica (perguntei pra ela!) e pinta “pelo seu subconsciente”. As ondulações das linhas, a escolha das cores complementares, o entrelaçamento desbotado dos corpos e almas é o que, em minha opinião, mais lembra a imagem de emaranhamento, e de paixão.

Famílias de emaranhamento: monogamia versus promiscuidade. Agora os assuntos ficaram intrigantes. O que acontece se existirem três ou mais partes neste jogo de amor? Tecnicamente, estamos lidando com o complexo tópico de “emaranhamento multiparte”. Neste contexto, existe uma lei fundamental: emaranhamento é monogâmico”. Se nossos dois amantes, tradicionalmente chamados Alice e Bob, realmente se amarem muito – eles estão maximamente emaranhados – não existe jeito algum de Alice estar pelo menos um pouco apaixonada por Carlos (ou o mesmo para Bob e Clara – os nomes são fictícios). Isto é talvez um pouco controverso, já que em nossa cultura está se tornando mais e mais popular a violação de monogamia em relações humanas... mas ao menos deixe-me dizer que emaranhamento, agora que olhamos para ele com olhos de amor, não é essa fera ruim que pessoas (até as mais eminentes) pensam que é. Você está começando a gostar disto? Note que se o amor entre Alice e Bob não for total, cada um deles pode trocar algum amor com partes extras!! Então vá pra casa, se assegure que seu(ua) parceiro(a) está maximamente emaranhado com você, de outra forma a suspeita é legítima!!

Outro aspecto interessante pode surgir em relações de muitas partes emaranhadas. O exemplo anterior (emaranhamento total exclui terceiras partes) estritamente se aplica a sistemas muito simples, objetos (ou pessoas) binários, apenas capazes de responder apenas sim ou não para qualquer pergunta sem argumentações mais estruturadas (nós os chamamos de “qubits”). Agora suponha que Alice e Bob são personagens mais complicados (nós os chamamos “sistemas de variáveis contínuas”), capazes de responder questões dadas uma série de motivações elaboradas. Um tipo de pessoa mais confiáveis, que podem em certo ponto enriquecerem sua família com um bebê. Eles podem amar o bebê sendo monogâmicos entre eles? Sim, eles podem! Neste cenário, o emaranhamento (amor) entre qualquer dois deles na família pode ser arbitrariamente forte, e isso aumenta o emaranhamento genuíno (amor) compartilhado pelos três (mãe, pai e bebê). Não é uma figura romântica e legal? Na verdade, uma descrição alternativa pode ser em termos de um grupo de três ou mais pessoas, que podem ser também todas do mesmo sexo! E esta “liberdade” que aparece quando sua personalidade é multifacetada e não binária (sim ou não), é um tipo de promiscuidade: quanto mais dois deles são atraídos por cada um, mais eles gostam de estar todos juntos agindo à três e mais orgias intrincadas! A sociedade quântica, como você pode ver, não é tão diferente da nossa: nós somos feitos de quanta e imersos neles... quem influencia quem?

Existe algum impacto quântico em nossa sociedade? Estes são apenas algumas maneiras divertidas de tentarmos relacionar o mundo microscópico (no qual emaranhamento não tem provavelmente nada a ver com amor) com o mundo que estamos acostumados a viver. Qualquer um pode imaginar a situação que sua fantasia melhor se aplica a este estranho reino quântico. Já no mundo dos Gregos e Romanos, as pessoas inventavam figuras (deuses) associados a eventos naturais, e imaginavam eles em banquetes e sendo envolvidos por paixões intensas. Emaranhamento é com certeza um dos misteriosos “deuses” do Livro da Natureza como o conhecemos hoje, e “quando chegamos ao emaranhamento – de acordo com V. Vedral – apenas avistamos a ponta do iceberg.”

Concluo por dar uma dica do que o emaranhamento pode realmente fazer por nós. Aparte o seu bem interessante aspecto social no nível microscópico, a nova revolução tecnológica informação quântica está tomando lugar, baseada no emaranhamento e suas propriedades. Em particular, Alice e Bob podem mandar e-mails carinhosos um para o outro com segurança incondicional de quem não haverá espiões, já que eles podem encriptar seus dados através de uma chave secreta estabelecidas a partir da intrínseca aleatoriedade das partículas quânticas, e protegidos pela monogamia de emaranhamento. E isto é realidade: sistemas cripto-quânticos são dispositivos plug-and-play que você pode comprar de MagiQ <www.magiqtech.com> ou IdQuantique
<www.idquantique.com>, e instalar no seu PC para definitivamente resolver o problema de hackers (quânticos). Similarmente, estamos trabalhando para construir computadores quânticos, que exploram superposições quânticas (onda e partícula, vivo e morto...) para fazer cálculos paralelos bilhões de vezes mais rápido que supercomputadores atuais!!! E há mais, muito mais...

Gostei de falar de um aspecto particular de ciência, que está entrando e gradualmente afetando a cultura popular. Como isto, existem muitos outros. Agora, da próxima vez que encontrar um físico teórico, por favor não olhe pra ele de uma maneira estranha :) e se lembre... estamos todos emaranhados!

domingo, 8 de maio de 2011

continuando...

     Meu nome é Johnny, ou pelo menos é assim que me chamo de uns tempos para cá, e como eu disse, minha história, ou pelo menos a parte interessante dela, começou quando eu tinha um pouco mais de 16 anos de idade. Sempre fui um ser humano normal: praticava esportes mas nunca fui o melhor, tinha espinhas, estudava razoavelmente, brigava com minha família esporadicamente, e lutava comigo mesmo para conseguir uma menina para me beijar. Enfim.... normal. Um menino normal, um pouco mais maduro que meus colegas, mas normal.
     Um certo dia, um dia comum na vida de um sujeito comum, após um lanche comum e um banho comum – banho comum para um garoto comum de 16 anos – fui dormir. Todo mundo sonha, mas a partir deste dia comecei a ter sonhos muito estranhos, ou para não sair do tom deste parágrafo, comecei a ter sonhos nada comuns.
     Sonhei que era outra pessoa... na verdade, sonhei que era um homem de seus 30 anos de idade. Isto é normal, eu acho, o estranho é que eu tinha noção do passado dele, sabia da existência e conhecia as pessoas próximas a ele. Sabia o que ele fazia para viver, e entendia a língua que este sujeito falava. Era tudo normal para mim, muito normal... absurdamente normal. Neste sonho vivi a vida deste sujeito, plenamente, até o momento em que meu sonho acabou. Caminhei, dirigi o seu carro, chutei sem querer uma pedra e senti a pedra no meu pé, trabalhei e no meio do dia dele eu acordei e continuei minha vida normal, de um garoto normal de 16 anos.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

..... ?????

Oi, joia? Algo que estou começando a escrever. A ideia, ou semi ideia, ja existe... então, é isto:

Sonho e realidade (titulo provisório)

      Quando criança sempre ficava imaginando: “e aí, vou ficar velho, vou morrer... pra onde vou? Vou virar um cachorro, uma lesma, um peixe e continuar vivendo? Vou voltar como ser humano?” Pensava sempre nisso, e se você nunca pensou nisso, pensar de verdade nisso, não sabe a agonia que dá este tipo de pensamento. Na verdade, eu tinha aproximadamente 7 ou 8 anos quando pensava nisto, e pensava muito nisto, e na época eu acreditava em espírito, alma ou o diabo a quatro. Hoje não acredito, ou acredito, não sei. Sei que uma coisa muito estranha acontece comigo.
      Porque eu parei de pensar nessas coisas? Hoje, ou desde alguns anos pra cá, alguns bons anos, consigo ter consciência desta pergunta. Consciência, isto sim é um conceito complicado, visto o que eu compreendo da vida, ou disto que o ser humano, esta raça fétida e linda que eu acho que conheço bem, pensa que é vida. Eu me considero extra-humano, mutante, estranho, zumbi, vampiro ou o que você quiser me chamar, e isto não me importa. O que importa é que eu te conheço, como nem você mesmo se conhece.
      Tudo começou quando tinha 16 anos de idade...

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Esperando pela fada da motivação

Esperando pela fada da motivação
(adaptado livremente por Leo, de Nature – 7 de abril de 2011 – Vol. 472 – Autores: Hugh Keaners e Maria Gardiner)

É fácil desistir para a procrastinação*, mas os autores dão dicas de como tomar seu fôlego de volta.

Eu amo datas limite. Eu amo o barulho que elas fazem quando vão embora.” (Douglas Adams)

Se você está procurando condições ideais para procrastinar, conduzir um projeto de pesquisa (ou ficar esperando pela sua próxima prova “distante”) pode dá-las facilmente. Tais projetos tendem a ser grandes e demorar bastante tempo: completar um projeto de doutorado, por exemplo, demora quatro anos em média (concluir um curso de graduação leva o mesmo tempo em média... concluir um período leva quatro meses letivos de aulas). Datas limites, datas de provas e finais de tópicos são normalmente difusos e mal-definidos. Então temos o sistema de recompensa: você pode colocar muito esforço em pouco, ou nenhum, retorno positivo durante o caminho e a recompensa, se houver, demorará muito tempo para chegar. Adicione isto ao fato que cientistas, e estudantes, são normalmente perfeccionistas com relação às demandas, se não idealistas, e é de se notar que procrastinação é um assunto muito discutido em workshops e conferências. Muitos pesquisadores simplesmente dizem por garantido que eles estão à mercê das forças da procrastinação, destinados ao aumento de stress e ao alongamento das datas limite. Mas existem simples estratégias para fazer você se engajar. A primeira é reconhecer os padrões que você está inserido(a).

Algumas atividades de procrastinação são bem óbvias. Tem o cafezinho que se torna horário de almoço. Assistir vídeos no youtube e mandar para todos os seus amigos. Ou atualizar seu facebook/orkut enquanto deveria estar atualizando sua pesquisa ou seus estudos.

Mas muito da procrastinação é bastante sutil, e pode acabar misturando com trabalho produtivo. Por exemplo, você pode ficar horas procurando aquela referência, sendo que você tem mais do que pode realmente ler. Ou você começa um novo experimento ao invés de analisar o antigo. Ou checar seu e-mail. Ou ficar se estendendo num exercício ou problema que você já sabe como fazer, e já sabe a resposta, ao invés de passar para o próximo. Ou não focar seu estudo no que é obrigatório para se preocupar com assuntos além, ou aquém, da disciplina. Estas atividades podem parecer que a pessoa está fazendo algo produtivo, e com certeza está, mas não o que deveria estar fazendo agora!

Por exemplo, porque uma arrumação de casa ou do quarto, ou uma tarefa qualquer, é mais “divertida” quando você está trabalhando num artigo ou numa tese ou estudando pra uma prova? É uma atividade de descolamento, usada para dispensar a auto-reprovação ou o desconforto que sentimos quando não fazemos nada. Ver novela, ou tirar uma soneca, causa muita culpa. Mas você nunca, digamos, reorganizou os arquivos do seu computador para ficar mais simples encontrá-los? Vai aumentar sua velocidade de pesquisa, afinal de contas!

Apesar de todas estas atividades ou desculpas são aceitáveis, sua falha fatal é que quando você a termina você ainda não terminou seu artigo, escreveu sua dissertação, fez o experimento ou estudou para a prova. Você provavelmente irá ter um aumento neste sentimento de culpa, porque você não está tendo progresso nenhum no seu objetivo. Infelizmente, enquanto você está lendo e-mails ou fazendo tarefas de deslocamento, a fada da motivação não parou e fez esta tarefa difícil aparentar mais atraente. E isto é justamente como a motivação NÃO funciona.

Muita gente tem um desentendimento básico: pensamos que motivação leva a ação, ou mais simplesmente, quando você se sente fazendo algo, você vai e faz. Isto pode funcionar para coisas que você gosta de fazer, mas não é bom para tarefas grandes e com datas limite confusas (projeto, trabalhos, provas, etc.).

Algumas pesquisas de psicólogos sugerem que motivação leva a ação, que retorna levando a mais ação. Você tem que começar antes de se sentir preparado, assim você ficará motivado, e assim você irá tomar mais ações. Você já deve ter tido esta experiência. Você tenta fazer uma análise de dados por anos, séculos; eventualmente você decide fazê-lo e, uma vez que começa, você diz para si mesmo: “É, não parece tão difícil como pensei. Por quê não continuar agora que já estou fazendo?”

É claro, começar antes de se sentir motivado é difícil. Mas algumas estratégias podem ser tomadas para evitarmos as condições que levam à procrastinação em primeiro lugar.

Primeiro, projetos grandes e longos devem ser divididos em etapas. Não apenas etapas pequenas, mas etapas “minúscula”. Ao invés de dizer que você irá revisar o artigo inteiro (ou estudar a matéria toda) – que provavelmente será uma tarefa esmagadora – a etapa minúscula pode ser você estudar os comentários dos árbitros ou você fará uma ou duas mudanças (ou você pode estudar uma ou duas seções do capítulo). Segundo, você deve escolher uma hora ou uma data limite para cumprir esta etapa minúscula. Falar que você vai fazê-la depois ou amanhã não adianta – a data limite deve possuir uma “hora” anexada a ela. Terceiro, você deverá construir uma recompensa imediata. Se você conseguir ler os comentários dos árbitros ou revisar as duas pequenas partes (ou estudar as duas seções do capítulo) até, digamos, as 10 horas, você pode se permitir tomar um café, bater um papo ou uma breve troca de e-mails. Agindo assim é bastante provável que assim que você começar uma tarefa, sua motivação irá aumentar rapidamente e você se encontrará querendo ficar na tarefa um pouco mais de tempo.

Assim, se a fada da motivação não estiver passando pelo seu laboratório ou sua mesa ultimamente, talvez seja hora de você dar uma mãozinha para ela. Na próxima vez que você se achar em tarefas de deslocamento, se lembre que há sim uma maneira de fugir desse trabalho elusivo. Siga os três passos e veja sua motivação crescer.

*procrastinação: é o diferimento ou adiamento de uma ação.

domingo, 10 de abril de 2011

Violência e educação

Oi. Jóia?

Brasil:

Dezembro 2010:
- um professor é morto por seu estudante dentro da faculdade.
2011:
- professora é assaltada à mão armada na QUI/UFMG;
- sala de xerox da FARM/UFMG é assaltada também;
- estudantes de doutorado da FIS/UFMG são assaltados à mão armada dentro do ICEx/UFMG;
- professora é ameaçada de morte no ES e outra no sul do Brasil;
- 11 estudantes adolescentes são mortos, friamente, numa escola do RJ.

Enfim, casos de violência dentro de instituições de ensino estão acontecendo no brasil de forma crescente. Óbvio que isso me preocupa, sou professor, mas qual o impacto social disto, ou seja, de violência tamanha estar chegando à instituições de ensino?

Não vou aqui ficar tecendo teorias estúpidas e sem sentido da personalidade de um doido (pronto, acabou o assunto) lá do RJ, se ele era HIV+, se era homo, se era islã ou a PQP. Isto não importa pra mim, o que importa é que 11 "brasileirinhos e brasileirinhas" perderam sua vida esta semana de maneira estúpida.

O que eu quero questionar é (a pergunta custa a chegar, aguarde... vou contextualizá-la): violência existe, sempre existiu e sempre vai existir. Nós, "cidadãos normais, estudados e intelectualizados", normalmente tentamos passar longe de favelas e ambientes onde a violência está e existe. Para isto fazemos (vc pode até pensar que não, mas é fato) um exercício de cinismo e indiferença gigantesco. Sim, a parcela estudada, a tal da classe média, é cínica, hipócrita e indiferente. Agora a pergunta: qual o impacto social quando esta violência começa a efetivamente chegar em instituições de ensino?

Não tenho resposta pra isso, nem almejo ter,mas na minha cabeça quando isto acontece o assunto toma outro rumo, e é esta questão que quero plantar na cabeça de quem lê isto. Escola é lugar de ensinar, não de colocar medo. Crianças e adultos devem ir às escolas para aprender (no sentido mais amplo da palavra), não para "cumprir tabela", ficar com medo, e voltar pra casa. Medidas imediatas devem ser tomadas, e serão. Não apoio o uso de detector de metais em escolas, talvez uma melhor identificação baste. Não sei, ando pensando muito nisto.

O que nós, professores, estudantes, funcionários, cidadãos, brasileiros, podemos fazer para tentar melhorar este cenário triste? Esta resposta eu tenho: temos que continuar trabalhando, não gerando medo, não produzindo robôs, produzindo sim cabeças pensantes que saibam identificar e resolver problemas (nem falo de física, que são nossos menores problemas). Agora é a hora que cada professor(a) e cada estudante deve ensinar e aprender, uns com os outros.

Enfim, semana passada foi triste. Fiquei bem triste com os acontecidos. Lutarei até o fim de minha carreira para que minha sala de aula, e minha instituição, seja um ambiente crítico, democrático e pacífico.

Abraço, paz.

Leo

Ps.: não quero com este post responder nada, só quero pensar e colocar meus pensamentos para todo mundo ver. Não sei porque estão acontecendo tantos casos em escolas brasileiras. Não sei, mesmo. Só quero questionar, pensar, e continuar trabalhando pra fazer essa merda melhorar.

Cão

Oi. Jóia?

Ontem vi um filme, e já vou avisando que tô sensível e que pra eu virar viado só falta fornecer o brioco, e quase, quase chorei. Finalmente vi "Marley e  Eu" e decidi escrever sobre minha experiência com meu cãozinho.

Bartolomeu Souza, faz um ano hoje (mais ou menos) dia 10/04/11. Arrumei um cão, um bulldogue inglês, porque ano passado eu estava morando sozinho e resolvi ter companhia em casa. Não podia ter feito melhor. Estou com ele desde os 3 meses de idade, e te digo que desde então ele se tornou uma preocupação na minha cabeça. Mas não uma preocupação chata, tipo burocracia de serviço ou tentar pegar mulher numa noite e nunca conseguir. Meu cão me dá as melhores preocupações.

Morava com ele num apto, só nós dois. Lá ele não latia por nada, não incomodava ninguém, só a mim. Nunca foi de comer coisas de casa, como o tsha-tsha, mas acabou comendo uma porta inteira, acreditem. Mudei em janeiro pra uma casa, numa república, e aqui ele tem latido mais, mas está muito mais esperto, correndo, pulando loucamente e chorando infinito só de ouvir minha voz, de carência mesmo.

É hoje, a 2a paixão de minha vida, sem dúvidas: 1o: familia+amigos(as), 2o: bart, 3o: servico. Ele sabe quando eu to querendo ficar quieto só fazendo carinho nele, e sabe quando eu quero brincar. Pra ele uma bola furada já basta pra ficar feliz, não precisa de cerveja nem de nada mais caro.

Enfim, pra quem não tem cachorro e gosta de um, eu aconselho infinito. A Bárbara, dona do tsha tsha balalo, me aconselhou, e não me arrependo. O carinho incondicional e a alegria que um cão te dá, e que ele tem quando te vê, é uma coisa inacreditável.


Enfim, é isso. Uma foto dele abaixo acima.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

GALO

Calendário 2011 do Atleticano:
 
JANEIRO
 = Empolgação, galo vai ganhar tudo. 
 
FEVEREIRO = O time vai entrosar, calma. 
 
MARÇO
 = Time tá tropeçando no rural, mas goleando na copa do Brasil 
 
ABRIL/MAIO
 = Eliminação na copa do Brasil e sapecada no rural. Secar o Cruzeiro= esporte favorito. 
 
JUNHO/JULHO/AGOSTO
 = SOFRIMENTO. 
 
SETEMBRO
 = Redução nos preços de ingressos para a torcida não abandonar totalmente = 5 reais preço único em todos os setores e eles acham que é a maior torcida de Minas (OS ILUDIDOS). 
 
OUTUBRO
 = Eliminação na SURRAmericana. 
 
NOVEMBRO
 = Só chororô... 
 
DEZEMBRO
 = Galo vai ganhar tudo em 2012.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

KYUSS

Oi, jóia?

Deu na telha de falar sobre bandas e música. Talvez já inspirado no futuro programa de rádio em Florestal, Rock na Floresta, a ser (se Deus quiser) apresentado por Leozim e Eduardim. Uma outra banda que tenho ouvido bastante nos últimos tempos é KYUSS. Formada no final da década de 80 pelo então ainda adolescente Josh Homme e seus coleguinhas, entre eles o Nick Olivieri que foi preso por tocar nu no RiR2001, é uma banda de stoner rock dos EUA. Inspirada em Melvins e surgindo na cena grunge, ela é totalmente diferente dos grunges. Pegada rápida, bateria uniforme, vocal esganiçado (tá, isso ia de encontro ao Kurt, mas era beeem diferente), guitarra distorcida, riffs fenomenais, solos bacanas e baixo bem pronunciado, a banda teve alguns discos muito bacanas e delas surgiram o Queens of the Stone age, o Desert Sessions, o Mondo generator, dentre outras.

Quem quiser ler mais: http://pt.wikipedia.org/wiki/Kyuss

Um exemplo: http://www.youtube.com/watch?v=INMfbJfmqzg

Abraço,

Leo

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Explosions in the sky

Oi. Joia?

Muito tempo que não escrevo nesta merda de blog, então vou falar de coisa boa: MÚSICA.

Há muito tempo atrás um amigo meu com excelente gosto musical, Xubaka, me indicou uma banda de rock instrumental: Explosions in the Sky. Comecei a ouvir, admito com certo preconceito. Mas, à medida que você vai ouvindo vai ficando hipnotizado com o estilo de guitarra que a banda utiliza. Em especial, eu fico bastante ligado na bateria da banda.

Formada em 99, a banda já tem 6 discos se não me engano. Aconselho demais o "All of a sudden I miss everyone" e o último "Take care, take care, take care". O "All of..." é excelente... musicas extremamente bem trabalhadas, e todas com um clímax MUITO bom no meio da música. começam lentinhas, e depois o pau quebra. Tudo instrumental. Abaixo a que eu mais curto deste disco.

Uma banda brazuca que segue um estilo instrumental/post rock, assim como o Explosions... é a MACACO BONG, de Mato Grosso. Ótima banda, que acabei perdendo um show em BH, que faz uma sonzeira instrumental tanto quanto, QUIÇÁ MELHOR, que o explosions. Aconselho idem. Falei mais do EitS pois estou na onda do último disco.

Vale a menção para o rock alternativo atual brasileiro: a despeito das bandas danoninho como as merdas do restart, nx-zero e demais babaquices, temos uma cena alternativa excelente. E Macaco Bong é top 2 da minha lista: Black Drawing Chalks, depois Macaco Bong.

O bacana do Macaco Bong: discos para baixar "de grátis" na Trama vistual. Google it, lazy mother fucker.

Explosions: http://www.youtube.com/watch?v=IE2EfKoGcmA

Macaco: http://www.youtube.com/watch?v=hkE3EXBNemM

Abraço,

Leo

domingo, 20 de março de 2011

Sobre hipocrisia e cinismo

Oi, jóia?

Esses dias muita coisa está acontecendo. Visita do Obama, e demais estresses.

Comecei a pensar o tanto que os políticos são hipócritas e cínicos. Mas daí me peguei sendo um hipócrita e cínico, tanto quanto eu nunca fui nem gostaria ser na vida.

O discurso do Obama e da Dilma refletem o que penso sobre políticos e sobre gestores públicos: dizem tudo o que as pessoas querem escutar, mas não falam nada que queriam ou deveriam dizer.

Sou uma pessoa assim também, ensino física e tanto quanto posso eu tento ensinar coisas sobre a vida e sobre como ser e exercer o papel de cidadão que cada um tem. Mas quem disse que EU, Leonardo Antônio, ajo desta maneira? Quem disse que eu faço e exerço meu papel de cidadão que tanto prego dentro de sala? Sou um hipócrita e cínico.

Ano que vem tem eleições para prefeito, vou transferir meu voto para Florestal, modiquê tentar exercer o papel importante do voto. E de certa forma, estamos tentando exercer uma influência intelectual e cultural na cidade que moramos. Tentamos questionar atitudes estranhas da política local, e fazer que a população também questione.

MAS, será que alguém me escutará visto minha hipocrisia e cinismo? Não sei, só sei que vou continuar agindo de maneira sincera e honesta, e tentar que esta atitude me dê certo respaldo.

Este post ficou meio sem nexo, e foda-se se você não entender.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Reflexões sobre salários

Oi. Jóia?


Hoje saiu notícia que o governo irá vetar salário mínimo de R$540,00 reais. Acho absurdo um salário mínimo (SM) tão baixo, mas não é totalmente trivial simplesmente aumentar o SM. As implicações para as micro, média e macro empresas são enormes, o que oneraria principalmente as pequenas.

Incrível eu ter escrito isto aí em cima, não?

Mas o que mais me preocupa é o seguinte: a passividade dos(as) brasileiros(as) no que diz respeito ao aumento do salário dos deputados, senadores, presidente, etc. Eu estou incluso nesta passividade. Sou hipócrita, só reclamo e não faço nada. Tento mandar e-mail para a elite intelectual do Brasil (Argh... nojo até de escrever isto), que seriam os profs das Univ. Federais. Mas, eles (nós) querem saber somente do próprio bolso. Tento bravamente dizer aos meus(inhas) estudantes para serem ativos, mas não vejo nada. Propus uma greve com motivo político, mas riram de mim. O pouco que me resta é esta merda de blog. Enquanto foram cortados 500 milhões de reais do orçamento de ciência e tecnologia, o salário de ilustres cavalheiros como o Paulo Maluf e o Deputado Tiririca e seus companheiros aumentou em até 130%, FOOOORA os gastos com viagens, moradia, acessoria, etc.

Fico imaginando se isto acontecesse em países de primeiro mundo, como França e Argentina. Sim, nossos hermanos fazem greve por motivo político, passeata em frente à casa rosa (ui!) por motivos políticos, paneleços, etc.

Mas nós, pentacampeões mundiais de soccer, nos preocupamos com a porra do mistério do Gérson e para qual clube o lindão do Ronaldinho Gaúcho irá.

Que 2011 seja melhor que 2010, que já foi excelente (sem ironias). Que o brasileiro lute (não tô falando de UFC, nem de Street Fighter).

Um grande abraço para você e para todo mundo que fodas sua família.

Leo

domingo, 31 de outubro de 2010

Trabalho, maturidade, diversao, e afins....

Oi, joia?

Ha 10 meses estou aqui em Florestal trabalhando. Trabalhar dà muito trabalho... sem noçao. Mas... sinceramente... é bom demais. Realmente me encontrei como professor, adoro dar aulas, sinto quase que um orgasmo quando noto que 'caiu a ficha' em alguém e que eu, de certa forma, fiz parte desse processo de aprendizagem.

Mas... comparando com a época que entrei na UFV (em 2000)...  tenho notado uma falta de maturidade nos estudantes. Que o ensino médio e fundamental nao estao bem, isso é verdade... mas sinto muita falta de maturidade nos estudantes. Eles nao estao com a mentalidade de estudar, em casa... ficam achando que tèm que depender somente das aulas para aprender. Universidade nao é isso... nunca foi nem nunca vai ser. Depende mais da dedicaçao e maturidade do estudante. Nòs, como professores, tentamos... E MUITO... colocar a coisa mastigada na cabeça da criança, mas nao basta sò isso. Problema sério que eu espero mudar um pouco com o decorrer do curso dos alunos.

Coloquei diversao no titulo pq, sinceramente, no quesito trabalho, dar aula està sendo a parte mais divertida do meu expediente. Mas agora tive uma motivaçao enorme pra voltar a pesquisar (e a escrever os artigos que devo pra Carolzita): o meu primeiro projeto foi aprovado!!! é tipo o primeiro sutia, ou deve ser, pq nunca usei sutia.... To feliz demais com isso, e terei alunos de iniciaçao cientifica!!! :-)

Enfim... voltando a atualizar a budega.

Com a musiquinha de 'prenda-me se for capaz' na cabeça.

Bjo

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Aos meus amigos

Trecho de 'aos meus amigos', de Maria Adelaide do Amaral.


"- Sinto saudade do tempo em que a gente era amigo.

- Eu também. Tenho saudade das piadas idiotas, da vida de todos passada a limpo, daquela espécie de adolescência revivida do afeto que nos unia, da família que éramos. Quando nos separamos, eu perdi a família. Nós temos que ficar juntos. Nós, que apesar de todas as diferenças nos queremos tanto, por tudo o que vivemos, pela cumplicidade que muitas vezes não é verbal, mas que se expressa na nossa afetividade, na agressão, no carinho que temos uns pelos outros, que é o carinho pela nossa juventude, nós não podemos romper, nos afastar."

domingo, 27 de junho de 2010

Na paz

Saramago


Gabi entrevistando Saramago, em 99, sobre Freud (numa lembrança tosca minha sobre a conversa):

Saramago: "A ultima coisa que faria seria analisar-me."
Gabi: "Por que?"
Saramago: "Por que quero ser quem sou, e iria detestar que alguém me falasse o porque^ eu ser assim. O que me importa é ser, e nao o rotulo."