domingo, 26 de julho de 2009

Viagem 4

O motorista seguia, rumo ao destino final de todos. Sim, isto é tudo o que temos para falar dele.

Lívia era uma mulher linda, corpo escultural, inteligente e muito sensual. Talvez por isso fosse tão ranzinza, talvez por isso fosse prostituta. Iniciou a carreira com 17 anos, a primeira vez pela aventura, mas gostou do dinheiro, do cheiro do papel colorido que proporcionava a ela roupas e jóias. Muitos de seus clientes se apaixonaram por ela, inclusive um adolescente, que quando ela descabaçou quando ela tinha 19 anos, já experiente. O garoto apaixonou, descobriu onde ela, com os pais, e fez o que qualquer adolescente faria: escândalo. Os pais descobriram, a expulsaram e nunca mais ela os viu. Mesmo se quisesse, ambos adoeceram e faleceram algum tempo depois. Uns dizem que foi por desgosto, outros por idade mesmo. Desde então Lívia tem feito os homens se apaixonarem por ela, devido ao seu esplendido desempenho na cama, à sua ginga, e principalmente ao fato de ela realmente saber fazer um homem se sentir homem. Podemos resumir sua vida assim: ela gostava do que fazia, e sabia fazer, tinha orgulho, mas não tanto, e queria sair dessa vida.

Paulo conheceu Paula na faculdade, ambos calouros, ambos crianças, ambos inexperientes, ambos apaixonados. O namoro durou muito, durante o período da faculdade, quatro anos. O moleque nasceu durante, com dois anos de relacionamento. Claro que isto atrapalhou os cursos, e claro também que atrapalhou o curso dela. Ele se formou. Eles se casaram. Eles não foram felizes. Eles se separaram, e desde então conseguem viver. Coisa que não faziam,quando estavam juntos, Paulo era violento e batia no moleque, e em Paula. Ela aceitava apanhar, desde que o garoto não sofresse. Mas ele via, ouvia, e sofria. Talvez mais que todos. Não, não era o garoto o culpado de tanta raiva, mas sim uma podridão interior que Paulo guardava, ninguém, nem ele mesmo, sabe de onde veio tanto rancor. Apensar disto, o moleque achava que a culpa era dele, e todos queriam sair dessa vida.

José e Maria, um casal clichê. Mas este casal era esplendoroso. Um amor incondicional, sem traições, com cumplicidade, com sentimento, com compreensão, com amor. Tiveram uma filha, Carla, que faleceu, vitima de solidão, depressão, desespero, infantilidade, como queiram. Desde então, José e Maria tem vivido como a filha, solitários. Viveram a melhor vida juntos, fingiam que continuavam vivendo com o mínimo de felicidade, mas queriam sair dessa vida.

Marcos era um homem casado, bem empregado, salários altos, com bens, propriedades. Um homem inteligente, brincalhão. Amado por todos. E principalmente por todas. Apesar de uma imensa vergonha que sentia, não conseguia ficar um tempo grande (por grande, leia-se alguns meses, dois por exemplo) sem trair sua mulher. Não caro leitor, sua mulher não era feia, era linda. Um corpo muito bonito. Inteligente, simpática, conversava sobre tudo, compartilhava as coisas sobre Marcos. Mas ele não se contentava. Seu corpo e sua mente o obrigavam a gozar dentro de outra mulher. Este era seu vicio e seu prazer, e ele queria sair dessa vida.

O doente, este não nomearemos, pode ter qualquer nome. O passageiro doente era uma pessoa inteligente, era uma pessoa simpática, era uma pessoa amável, era uma pessoa querida, era uma pessoa cativante. ERA. Depois que descobriu sua doença ficou doente. Doente de cabeça. Preconceito de si próprio se iguala a qualquer tipo de preconceito. Ele tinha nojo de se tocar, tendo inclusive cortado as mãos devido aos socos que dava no espelho ao ver seu rosto pálido e magoado. Há quem diga que a pior doença dele, talvez a única, era a doença de sua mente. E ele, assim como os outros, queria sair dessa vida.

Desta forma contamos o resumo da viagem de nossos passageiros, uma viagem estranha, conturbada, e com um final feliz, por incrível que pareça.

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