sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Redacao de uma aluna da UFPE

Muito legal!!! Nao sei o nome da aluna, mas o texto vale demais!

REDAÇÃO DE UMA ALUNA UFPE

 Redação feita por uma aluna do curso de Letras, da UFPE Universidade
 Federal de Pernambuco - (Recife), que venceu um concurso interno
 promovido pelo professor titular da cadeira de Gramática Portuguesa.

 Redação:


 Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam   no elevador.
 Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem
 vividos pelas preposições da vida.
 E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas
 com um maravilhoso predicado nominal.
 Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito
 oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes
 ortográficos. O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num
 lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a
 se insinuar, a perguntar, a conversar.
 O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno
 índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo,
 pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos.
 Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador
 recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente
 no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou
 com ela em seu aposto.
 Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma
 fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para
 ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num
 vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar.
 Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e
 rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam
 terminar num transitivo direto.
 Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu
 ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um
 período simples passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela
 confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou
 outra soletrada em seu apóstrofo.

 É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente
 oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros.
 Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias,
 parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns
 minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia
 tomando conta.
 Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um
 perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do
 seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta
 abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha
 percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se
 encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e
 exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou
 melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o
 seu particípio na história.
 Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por
 todo o edifício.

 O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto adnominal. Que
 loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo
 absoluto.
 Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele
 predicativo do sujeito apontado para seus objetos.. Foi chegando cada vez
 mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo
 claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas:
 enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do
 substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.
 O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido
 depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final
 na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela
 janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com
 o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.